LONTRA

Lontra longicaudis

Família

Pertence à ordem carnivora e à família mustelidae. Carnívoros contém 240 espécies em 7 famílias. 2 não existem no novo mundo: hienas (hyenidae) e mangustos (viverridae). São divididos em duas sub-ordens: Canniformia (cães, ursos, guaxinins e doninhas) e Feliformia (gatos, mangustos e hienas).

Existem 65 espécies de mustelídeos distribuídos em quase todo o mundo, com exceção da Antártida e Austrália. Família é dividida em cinco sub-famílias: Mustelinae (doninhas, iraras e furões), Mephitinae (cangambás), Lutrinae (lontras e ariranhas), mellivorinae (apenas o ratel) e Melinae (texugos).

Todos tem dentes adaptados para comer carne, embora algumas espécies sejam onívoras. Caninos grandes são importantes para pegar e matar presas, e molares e pré-molares tem lâminas nas bordas para cortar carne. Maioria tem corpos longos e pernas curtas, ajudando a entrar nas tocas onde se abrigam. Tem cinco dedos, com garras curvas e não-retráteis, usados para capturar presas, escalar e cavar.

Mustelídeos podem ser muito agressivos, chegando a atacar ou se defendendo de animais muito maiores. Tem fraca visão mas boa audição e olfato. Possuem um par de glândulas na base da cauda usada para marcação de território e identificação de indivíduos. Em cangambás, essa glândula é muito maior e joga um líquido com cheiro ruim que causa náuseas e se entrar em contato com a pele e olhos pode causar queimaduras e cegueira temporária, usado por eles como mecanismo de defesa.

Muitas espécies de mustelídeos tem a capacidade de controlar a duração da gravidez, retardando a implantação de óvulos fertilizados no útero até a época de reprodução. Em algumas espécies período de gestação, que normalmente leva cerca de dois meses, pode levar um ano. Dão à luz em tocas subterrâneas muitas vezes revestidas de folhas e outros materiais colocados pelas mães. Drenos são cavados para que tocas não alaguem na época de chuvas. Filhotes nascem cegos e sem pelos, mas já estão independentes com cerca de dois meses. Pele de muitas espécies é altamente valorizada e caça exagerada há algumas décadas levou várias espécies à beira da extinção, incluindo as lontras.

 

Características

Tem 36 a 66cm de comprimento mais 37 a 84cm de cauda, pesando 5 a 15Kg, com machos maiores que fêmeas. Corpo é marrom escuro com pescoço e garganta cinza.

 

Comportamento

Diferentemente das ariranhas que prefere rios com águas calmas, lontras preferem rios com águas rápidas. Gostam de águas claras e rios com vegetação abundante na beira e com alta disponibilidade de abrigos. Também vive em manguezais e na orla costeira. Podem vaguear por longas distâncias na terra, mas normalmente ficam perto da água. Conseguem ficar até 8 minutos debaixo d’água.

Normalmente diurna, tem picos de atividade à tarde e pode se tornar noturna em áreas de alta atividade humana. Normalmente usam buracos naturais na beira dos rios mas eventualmente cavam pequenos buracos, principalmente em áreas desmatadas com poucas cavidades naturais. São excelentes mergulhadoras e raramente são vistas fora da água. Gostam de escorregar em tobogãs de lama nas beiras dos rios. Usa fezes e mucos produzidos por glândulas anais para demarcação de território em pedras e troncos. Territórios vão de 7 a 80Kms de rio. Usam varias vocalizações para comunicação entre indivíduos.

 

Alimentação

Comem peixes, crustáceos, moluscos, rãs, aves e também pequenos mamíferos, répteis e insetos. Comem entre 15 e 20% de seu peso por dia, mais de 1Kg de alimento por dia. Também há registros de frutas sendo comidas eventualmente. Presas pequenas são comidas na água e maiores em terra na beira dos rios, mas foram vistas comendo peixes nadando de costas no rio, manipulando-os com as patas dianteiras.

 

Gestação

O acasalamento ocorre principalmente na primavera. Gestação dura de 56 a 86 dias, quando nascem 2 a 3 filhotes, podendo chegar a 5. Nascimentos ocorrem dentro das tocas, filhotes nascem cegos e são criados apenas pelas mães. Começam a sair do ninho após aproximadamente 45 dias e atividades aquáticas começam com aproximadamente 75dias.

 

Conservação

Ocorre do Uruguai ao noroeste do México, no Brasil ocorre na Amazônia, Pantanal, Cerrado, Mata Atlântica e Campos Sulinos. Considerada como quase ameaçada na lista de fauna brasileira ameaçada de extinção e sem classificação pela IUCN devido à falta de dados. A maior ameaça é a caça por sua pele, com milhares de indivíduos tendo sido mortos a cada ano nas décadas de 70 e 80. Hoje comércio diminuiu mas destruição de habitat, poluição da água, construção de barragens para hidrelétricas, perseguição por causar prejuízo à piscicultura e navegação e esportes náuticos sem controle são ameaça à espécie.